Filhos Pródigos de Pastores

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[Apesar de tratar-se de um tema específico para famílias ministeriais, as reflexões feitas podem ajudar qualquer pai ou mãe que sofram com filhos que tenham se desviado do que foram educados].

A primeira reação dos pais, em casos em que são confrontados com filhos que cometem erros graves, lembrando que estamos falando de filhos de pastores, e de pessoas de influência na comunidade, é a da dúvida do que as pessoas vão pensar. A reação das pessoas ao fato, e a conseqüente avaliação do trabalho exercido pelos pais daquele jovem são o primeiro ponto de conflito.

Um segundo ponto é o terrível sentimento de culpa que invade a mente das pessoas, tentando descobrir em que pontos da educação eles erraram.

Uma mulher, que ouviu a filha dizer que não acreditava mais em Deus, passou um sermão enraivecido por um longo tempo. No final, ela diz que: “não havia mais nada para o Senhor dizer, eu já tinha falado tudo”.

Outro diz que já tinha pregado várias vezes sobre o amor, e já tinha até mesmo escrito um livro sobre o evangelho do amor contido nos escritos de John Wesley. Mas, quando se viu diante da gravidez indesejada da filha adolescente, ele se esqueceu completamente do amor, e deixou ser tomado pela raiva, ressentimento e mágoa.

Além disso, de acordo com os autores, podem ser percebidas reações universais. Tais reações incluem choque, vergonha, raiva, culpa e até mesmo rejeição.

Ainda que todos os pais cristãos sofrem quando um filho ou uma filha rejeita a fé ou os valores que eles tentaram tanto estabelecer em seus filhos, eu acho que os pastores e suas esposas têm a carga mais pesada. Sempre há uma quantidade extra de dor quando vemos nosso filhos rejeitando os padrões pelos quais vivemos.

E, por fim, há um sentimento devastador de solidão. De acordo com Tolstoi, no livro Anna Karenina: “As famílias felizes são todas parecidas; cada família triste sofre à sua própria maneira”.

Mas, diante disso tudo, um ponto no qual podemos depositar nossa esperança, e que é comprovado pelas pessoas que passam e que aconselham pessoas nessas áreas, é que não estamos sozinhos.

Independente do problema, seja por causa de uma operação de mudança de sexo de um filho, ou uma jovem cristão namorando um rapaz não cristão, desde um aprisionamento de um filho por tráfico de drogas até o assassinato de algum rapaz cometido por causa da falta de emoção da vida, posso dizer que de certa forma, cada família sofre de uma maneira única, já que a causa desse sofrimento pode variar. Por outro lado, podemos ter certeza de que não há nenhum tipo de dor que não tenha sido experimentado por alguma outra família cristã. Não estamos sozinhos.

Alguns podem pensar que Jesus foi um privilegiado por não ter tido filhos. Mas, se pensar bem, vai perceber que na verdade, Deus é o exemplo maior de pai. Seus filhos foram escolhidos, o povo de Israel. Mas, desde o começo, Ele tem visto o quanto eles andam sem rumo e rebeldes. E ele lamenta hoje por causa do meus e dos seus pecados. Por isso, talvez possa ser de alívio para você saber que o Pai perfeito do céu sabhe o que e ser abandonado e/ou traído por um filho. Assim, não tenho de ser tão rápido em me julgar e/ou julgar outros pais machucados pelo comportamento ou a fé de um filho ou filha.

Contudo, muitos de nós querem mais do que simplesmente a segurança de saber que outros podem partilhar nossa dor. Quando tentamos viver com nossa dor, muitos perguntamos: “O que posso fazer?”. Queremos uma estratégia para lidar com o problema, passos para implementar, um plano testado e aplicado que trará de volta nossos filhos ou filhas, e que também os trará de volta ao Senhor.

Só há um plano cujo resultado é certo. Embora possa haver várias partes e implicações a essa estratégia, ela pode resumida em uma regra tão curta que temos de memorizar, independente da situação que estejamos enfrentando. A estratégia é essa: Precisamos deixar Deus operar.

Isso não significa que tenhamos que nos sentar, paralizados pela nossa dor. Isso não significa que não há nada para fazermos, nenhuma ação para pormos em prática. Isso significa sim que temos de reconhecer que não estamos sozinhos, que Deus está conosco durante nossa tristeza, e que Ele deseja trabalhar conosco, em nós e por nós, se confiarmos nEle o suficiente para Lhe dar chance de fazer isso. E, há três passos específicos que precisamos dar para que isso aconteça.

Primeiro, precisamos confiar em Deus para trabalhar através de outras pessoas. Para centenas de pessoas que passam por uma situação dolorosa e difícil como essa, o primeiro passo para sobreviver e curar essas feridas tem de ser o de partilhar isso com outra pessoa.

Alguns conseguiriam admitir isso publicamente. Outros, não conseguem fazer isso. Talvez outros, ainda, não tenham encontrado a oportunidade de fazer isso. Talvez isso não seja necessário ser feito por todas as pessoas. Mas, precisaremos partilhar nossa dor com alguém, talvez apenas uma pessoa, que possa apoiar e cuidar conosco de nossos filhos. Se vamos deixar Deus trabalhar, Ele vai fazer isso através dos outros. E esse companheirismo de cura nunca virá a não ser que tomemos o risco de expor nossas feridas.

Segundo, precisamos deixar Deus trabalhar na vida de nosso filho/nossa filha pródigo(a). Isso não significa nos eximir de conseqüentes preocupações ou de tomar atitudes, mas isso coloca a responsabilidade da mudança em Deus. Isso pode até mesmo nos manter fora dos Seus caminhos e nos libertar da preocupação e da necessidade de manipularmos a situação”.

Três verdades que podem ajudar no processo de diariamente, ou regularmente, deixar Deus atuar na situação:

  • Deus sempre trabalha de maneiras desconhecidas para nós. Podemos nos apegar à promessa de Jeremias 33:3 – “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes”. Essas seriam as operações secretas do Espírito Santo.
  • Nosso Deus é o Deus das segundas chances. Frequentemente, nossas reações são de desespero ao virmos um filho ou uma filha agir de forma irrevogável. Achamos que sua vida está terminantemente arruinada, e que ele(a) não tem idéia do que está fazendo. Ainda assim, existem vários exemplos de pessoas que Deus pode e busca os filhos e filhas onde quer que estejam, quaisquer que sejam seus pecados, o quão insatisfatória tenha sido sua vida, e lhes dá a chance de começar de novo.
  • Deus pode usar qualquer coisa. Deus pode usar os meios mais inusitados para tocar a vida de seus filhos. E em qualquer lugar.

E o terceiro ponto, precisamos deixar Deus trabalhar em e através de nossa vida. Para cada uma das reações negativas universais que ferem os pais – rejeição, raiva, culpa – há atitudes positivas que podemos tomar. Podemos demonstrar ativamente para nosso filho pródigo o significado da aceitação de Deus, do amor incondicional e do perdão ao exemplificarmos esses comportamentos em nossa vida.

Mas isso não é fácil. Amor, aceitação e perdão não aparecem facilmente. Nem os sentimentos nem as atitudes. Algumas vezes, eles chegam a ser humanamente impossíveis. Mas, é nesse exato momento, que podemos clamar ao Senhor por amor em nossa vida. Isso é tudo o que podemos fazer. E Deus responde à nossa oração. E ele também pode partilhar conosco as bênçãos imensuráveis de aceitação e perdão quando nossas próprias forças já se esgotaram.

Além disso, que mais podemos fazer como pais? Talvez a melhor resposta pode ser encontrada no exemplo bíblico do pai do filho pródigo.

O traço de caráter mais marcante do pai do filho pródigo foi a sua paciência. Ele esperou. Ele não foi atrás de seu filho para arrastá-lo de volta para casa. Ele não tentou convencer o garoto de sua bobagem, ou mesmo fazer o garoto se sentir culpado. Ele apenas esperou, vivendo o tipo de vida, oferecendo o tipo de amor, provendo o tipo de lar que acabaria por trazer o filho de volta para casa.

O teólogo alemão Helmut Thielicke argumenta que não foi a culpa ou o desgosto consigo mesmo que levou o filho a pegar o caminho de casa. Ao contrário, foi porque o pai e a casa do pai se destacaram em sua lembrança que ele caiu em desgosto. Não foi o país distante que o desiludiu, e o fez voltar para casa. Ao invés disso, foi a consciência do clima do lar que o deixou desgostoso com o país estrangeiro, e fez com que ele percebesse o erro e a perda de tempo que aquilo era.

Como nós, como pais cristãos feridos por causa dos filhos pródigos, desenvolvemos e cultivamos essa qualidade em nós mesmos e em nossa família? O que é esse poder que causa desilusão em nossos filhos com os países distantes, e os coloca no caminho de volta para casa? Será que não podemos fazer mais do que esperar?

Nossa maior tarefa e estratégia como pais, portanto, não é atrair nossos filhos perdidos de volta para caa por nossas próprias forças. Deveríamos pensar em nós mesmos como instrumentos de mudança ao invés de instrumentos em mudança, nos aproximando de nosso Pai celestial, desenvolvendo mais e mais esse magnetismo de amor.

“Perdemos muito tempo sendo pais, quando na verdade o que Deus deseja que sejamos é que sejamos seus filhos”.

É apenas quando nos tornamos semelhantes ao nosso Pai celestial, e começamos a refletir o Seu caráter – Seu amor, Sua aceitação, Seu perdão – que teremos algum tipo de chance de atrair nossos filhos pródigos de volta para casa.

Isso pode acontecer se nos lembrarmos que não estamos sozinhos. Mas, lembre-se de deixar Deus trabalhar. E nós oramos por nosso filhos, e uns pelos outros.

REFERÊNCIA: LEWIS, Gregg & Margie M. “Filhos Pródigos de Pastores”. Partnership Magazine, Spring Quarter. Apostila “When Mom is Really Sick”.

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