Maridos que Falam Através do Silêncio

Maridos que Falam Através do Silêncio 4.33/5 (86.67%) 3 votes

Em muitos lares, o silêncio do marido em determinados momentos parece ser uma parede impenetrável – a esposa de um lado, confusa, algumas vezes até mesmo com raiva por causa do silêncio do seu marido; enquanto que do outro lado se encontra o marido calado, confuso e irritado pela reação dela.

A maioria dos casais concorda que, independente se a mulher é mais ou menos extrovertida, ela tem a tendência de se expressar verbalmente com mais freqüência do que a maioria dos homens. As mulheres são encorajadas desde a infância a partilharem seus sentimentos. Os homens não são; a facilidade em se abrir é uma característica feminina.

Os homens também são ensinados que eles devem sempre estar no controle da situação, e que a maneira mais fácil de permanecer no controle é ficar fora do território desconhecido – o que pode incluir a conversação.

As pesquisas sobre comunicação mostram que na média, os maridos e as esposas gastam 30 minutos por semana conversando um com o outro. Isso acaba acontecendo por causa das obrigações do trabalho, das necessidades das crianças, das responsabilidades da igreja, e das tarefas diárias. Assim, fica muito difícil se encontrar um tempo para uma conversa despreocupada, e menos tempo ainda para uma trocQa íntima de sentimentos.

Mas, e se houver tempo para conversar, e os sons do silêncio continuarem a ecoar? Por que alguns maridos deixam surgir uma parede entre eles e as mulheres durante a conversação?

Aqui estão algumas respostas masculinas:

Algumas vezes não me tenho vontade de falar. Eu trabalho bastante durante o dia todo. Meu trabalho exige que eu converse com muitas pessoas. Eu preciso de tempo para ficar sozinho. Depois que eu tive me recuperado, é mais provável que tenha vontade de conversar.

Quando estou cansado, eu não quero conversar. Depois de ser bombardeado com fatos e números o dia inteiro no trabalho, eu não quero ter que pensar por algum tempo. Eu quero dormir, não interagir.

O silêncio me ajuda a evitar diferenças de opinião. Eu cresci numa família que raramente expressava os sentimentos mais profundos. Por isso, conversar é algo difícil para mim, especialmente quando eu sei que o que eu tenho a dizer não é o que minha esposa quer ouvir.

O silêncio me protege. Algumas vezes, não quero conversar com minha esposa sobre certas coisas porque tenho medo que ela irá usar isso contra mim no futuro.

O silêncio mantém um equilíbrio confortável entre união e liberdade na relação. Algumas vezes, preciso de afeto, mas outras vezes preciso de distância. Eu fico mais satisfeito com nosso casamento quando há um ritmo natural de idas e vindas em nossa interação.

O silêncio evita discussões acaloradas. Se eu não falar, terá menos probabilidade de ferir minha esposa, e não precisarei lidar com a mágoa depois.

Algumas vezes, não falo para proteger minha esposa. Se algo me incomoda, eu faço um favor para nós dois ao manter meus lábios fechados, especialmente se ela estiver cansada e agitada depois de um dia cansativo de trabalho e/ou com as crianças. Aprendi que quando o tanque emocional dela está perto do “vazio”, não é bom começar uma discussão pesada.

Quando tem alguma coisa me incomodando, não converso porque minha esposa tem a tendência de reagir além da conta e pode piorar ainda mais a situação. A última coisa que eu quero é alguém derrubando as paredes com raiva ou amargurada por causa disso.

Se analisarmos essas respostas, perceberemos que as primeiras quatro mostram que alguns homens precisam de um silêncio seletivo para agirem de forma mais eficiente. E as últimas quatro respostas mostram que os homens, algumas vezes, ficam em silêncio para o bem do relacionamento. Isso mostra um ponto muito importante: o silêncio nem sempre é uma coisa ruim.

Uma pergunta importante a ser feita é: Quando é útil tentar ultrapassar o muro e quando é melhor deixar que o silêncio reine? Saber o tempo certo é crucial. Não é uma boa decisão abrir uma discussão pesada sobre distanciamento emocional quando você estiver doente, emocionalmente ou fisicamente exausto, ou com fome. A lógica é uma qualidade rara quando você está precisando descansar. Até mesmo Cristo alimentou as multidões antes de falar sobre as coisas mais profundas da vida. “A palavra a seu tempo, quão boa é”. (Pv. 15:23). E lembre-se também de evitar as distrações, para que vocês possam ter um longo momento de conversa franca.

Outra dificuldade é que muitas pessoas acham que seus cônjuges deveriam ser capazes de adivinhar o que está se passando com eles, que um companheiro sensível deveria simplesmente saber quando elas precisam de mais atenção e de conversa. Mas, idéias como essas tendem a enfraquecer o relacionamento – a única pessoa que é onisciente é Deus.

Enquanto que uma conversa franca e direta funciona para alguns, o afeto é necessário para quebrar o gelo de outros. Quando você se sentir distante de seu marido, uma boa coisa a fazer é tocar antes de falar.

Felizmente, a habilidade de quebrar o silêncio não é uma arte misteriosa. Quase qualquer casal pode cultivar a franqueza se adotarem algumas regras básicas para se comunicarem quando ocorrem os tempos de silêncio que incomodam:

Pense antes de falar. Não tente impulsivamente quebrar o silêncio do seu cônjuge – planeje primeiro. “Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele.” (Pv. 29:20). Quando você estiver desesperada por causa do silêncio do seu marido, tome tempo para organizar seus pensamentos. Pode ser útil se você escrevê-los num pedaço de papel.

As primeiras palavras a serem ditas são as mais importantes: “Dá para dizer que você teve um longo dia e não se sente com vontade de conversar sobre isso. Mas, quando você quiser, me avise, tudo bem?”

Depois, pergunte: “Você sente vontade de conversar agora?” Se ele diz não, dê um pouco mais de tempo pra ele. Se você sentir que o silêncio está durante um tempo muito longo, você pode dizer: “Parece que alguma coisa está te preocupando mais que o normal. Tem alguma coisa pela qual eu possa orar?”

Ou talvez, você precise partilhar seus sentimentos. Você pode começar a conversa com algo do tipo: “Tenho sentido uma distância entre nós ultimamente. Eu realmente queria saber como posso ir de encontro às suas necessidades. Será que você poderia me ajudar a entender porque você tem estado tão quieto?”

Reconheça que o silêncio não é necessariamente um sinal de rejeição. Muitas mulheres vêem o silêncio como uma rejeição pessoal, e por causa de sua insegurança, elas clamam por atenção.

Veja o silêncio como uma dica de que talvez você precise dar ao invés de receber. É quando damos alegremente, que recebemos. Isso parece quase contraditório – se você der espaço para seu marido, isso vai aproximá-lo de você.

Por fim, uma pequena história. Numa exibição de arte chinesa, um homem estava estudando um grande painel e se perguntou, em voz alta, porque o pintor tinha feito apenas uma pequena ave no galho de árvore.

A esposa do pintor respondeu: “Porque se o artista tivesse enchido todo o espaço, não haveria espaço para o pássaro voar”. Tal como uma ave, cada um de nós precisa de um espaço aberto de tempos em tempos. E, algumas vezes, o silêncio é esse espaço onde seu companheiro é capaz de abrir suas asas.

REFERÊNCIA: VREDEVELT, Pam Walker. Husbands Who Speak Through Silence. Partnership Magazine, July-August, 1987.

Marcado , , , .Adicionar aos favoritos o permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *