Mas Senhor!

Rate this post

NOTA DO CEAFA: Esse artigo é útil para as situações nas quais entendemos o plano de Deus, mas achamos que não temos força para agir do jeito certo. Ouvimos a voz de Deus, mas temos medo de agir como Ele deseja, ou não temos certeza de como fazer.


Se você é como eu, deve ficar se perguntando se é o único que tem de se desculpar ao Senhor por suas imperfeições, seu temor e sua resistência. Você tem sido tentado a pensar que a vida é um mar de rosas somente para os outros, e que outros nunca enfrentam provas, perplexidades, nem dão desculpas ao Senhor? Eu gostaria de compartilhar um pouco das desculpas típicas que ouço em minhas viagens.

“Mas, Senhor, é tão difícil levantar da cama cedo assim.”

“Mas Senhor, meu trabalho requer todo o meu tempo e completa atenção.”

“Mas Senhor, os ‘outros’ tem mais dinheiro do que nós.”

“Mas Senhor, eu me casei com a pessoa errada.”

“Mas Senhor, Tu simplesmente não entendes.”

“Mas Senhor, se tão-somente meu esposo fosse…”

“Mas Senhor, não fui criado da maneira correta.”

“Mas Senhor, era simplesmente muito difícil.”

“Mas Senhor… Mas Senhor… Mas Senhor.”

O QUE DEUS PENSA

Eu gostaria de saber o que Deus pensa de todos os nossos “mas”. Quero dizer, o que Ele realmente pensa? Acredito que se você e eu pudéssemos ter uma entrevista pessoal com Jesus, assim como Nicodemos teve muitos anos atrás, Ele nos diria que todas as nossas desculpas são sem valor.

Bem, não me leve a mal. Não estou sendo antipático, indiferente e insensível. Já dei muitas desculpas ao longo dos anos. Algumas de minhas desculpas foram assim:

“Mas Senhor, queres que eu deixe a minha terra? Mas, foi aqui que nasci. Fui criado aqui. Sinto-me confortável aqui. O Senhor deseja que eu me mude para o sertão de Montana e abandone minha empresa lucrativa? Esse é o meu sustento. Isso é tudo o que sei fazer. O que desejas que eu faça lá? Como sustentarei minha família? Parece algo tão presunçoso. E quanto aos meus familiares e amigos? Como posso deixá-los? Mas Senhor… isso não faz sentido.”

A resposta dEle foi uma declaração bem simples: “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os Meus olhos.” Salmo 32:8. Esse era um convite para uma vida de fé, dependendo continuamente dAquele lá em cima… mesmo que não faça sentindo algum.

REALIDADE CONTADA COM LÁGRIMAS, SUOR E CALOS

Muitos têm deduzido que nossa mudança para as montanhas foi como uma aventura de livro de contos, idealista, com muito dinheiro e sem privações, provas ou dificuldades.

É fácil olhar para trás ao que ganhamos com a vida no campo e dizer que valeu a pena e dificilmente mencionar os problemas, assim como uma mãe raramente relembra as dores do parto após o bebê ter nascido.

Na época não foi nada agradável! Após termos nos acomodado em Montana, a cada duas semanas durante três meses tive de continuar viajando de volta a Wisconsin para finalizar a venda de minha empresa. Na última vez que voltei para casa encontrei Sally abatida com pneumonia dupla e meus meninos sob o cuidado de vizinhos.

As viagens longas e cansativas para Wisconsin tiveram seu preço. Minha saúde foi afetada, e eu também contraí pneumonia dupla. Aprendemos bastante sobre tratamentos naturais durante aquele inverno e a clamar a Deus por sabedoria durante essas condições penosas.

Como se a doença não fosse o suficiente para enfrentarmos, o riacho que supria nossa água congelou. Sem água estávamos impossibilitados de usar o banheiro ou lavar roupa.

Isso causou o congelamento de nossa fossa séptica. Nessas condições tínhamos de derreter neve para uso geral, sair de carro para conseguir água potável, usar um banheiro externo e viajar 75 quilômetros até a cidade para lavar nossas roupas.

Uma bondosa vizinha nos permitiu usar sua antiga máquina de lavar com cilindros que estava na garagem de sua casa. Ela morava a apenas nove quilômetros de distância e isso pareceu uma grande benção, comparado com 75 km até a cidade. Um dia Sally tinha uma grande quantidade de roupas enlameadas para lavar. Ao passar as roupas pesadas pelo cilindro torcedor da máquina, a mão dela ficou presa nas roupas e foi puxada para dentro dos cilindros da máquina.

Ela deu pancadas em todos os botões para interromper o processo, mas nada funcionou e os cilindros continuaram a puxar seu braço para dentro como se fosse apenas uma peça de roupa molhada. Em desespero Sally libertou sua mão e braço com um violento puxão, deslocando um dedo no processo. Todos esses inconvenientes e problemas nos levaram a Deus, para que Ele nos ensinasse a Sua maneira de enfrentar nossas provações peculiares.

A pneumonia nos deixou fracos e cansados. Demorou vários meses para recuperarmos nossa força. Com a aproximação da primavera, decidi tentar fazer alguma limpeza no jardim. Sally corajosamente se ofereceu para me ajudar. Estávamos tentando mover alguns pedaços de toras que pesavam centenas de quilos equilibrando-os em um carrinho de mão, quando a roda bateu em um obstáculo e um pedaço caiu no chão esmagando o pé de Sally e fraturando-o em três lugares. Seis meses depois ela caiu e fraturou o outro pé.

DEUS ENSINOU MUITO

Todas essas emergências médicas fizeram com que Sally aplicasse seus conhecimentos gerais de enfermagem e a levaram a aprender mais sobre a mensagem de Deus quanto à saúde. Por que simplesmente não seguimos o modo tradicional e procuramos um médico?

Não tínhamos recursos para pagar um plano de saúde, principalmente naqueles primeiros três anos quando estávamos vivendo com apenas 500 dólares por mês.

No mesmo inverno a válvula do nosso tanque de dois mil litros de gás propano estragou, logo após tê-lo enchido. O limpador de neve e nossa caminhonete Dodge usada quebraram. Parecia que era uma coisa atrás da outra. Você pode imaginar os pensamentos que inundavam nossa mente.

“Mas, Senhor… não gostamos disso. Está muito difícil. Parece que nos abandonaste. Talvez tomamos a decisão errada? Todos diziam que estávamos loucos em fazer essa mudança.

Do ponto de vista deles, buscar a Deus dessa maneira parecia uma loucura, mas nós não achávamos. Será que estávamos errados?”

DEUS SUSSURRAVA

Então o Senhor sussurrou em nossos ouvidos: “Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” [na versão bíblica usada pelo autor diz: “... até o fim do mundo”]. Mateus 28:20, NVI. Era exatamente onde estávamos, no fim do mundo, em Polebridge, no sertão de Montana. E ainda: “Não te deixarei, nem te desampararei.” Hebreus 13:5.

“É mesmo Senhor? Ainda que estejamos a 75 km da estrada de asfalto, a 75 km do sinal de trânsito mais próximo, e a 75 km da luz elétrica?” Sua garantia era clara e audível.

Assim seguimos em frente com fé, confiando não em nossos sentimentos, mas em Sua presença e em Sua promessa de nos ensinar o caminho que devíamos seguir.

NOSSA RELIGIÃO NÃO ERA O SUFICIENTE!

Em três anos tudo havia se acalmado. Aprendemos a clamar ao Senhor nas provas comuns de todos os dias e a agradecer por Jesus estar conosco. Aprendemos a enfrentar o “eu”, admitir erros e buscar a Deus para que Ele nos ensinasse novas maneiras de reagir e lidar uns com os outros.

Nos colocamos em uma rotina, estabelecemos um horário diário, iniciamos uma caminhada diária com Deus que permitiu que nosso casamento fosse transformado. Nossos dois meninos estavam sendo educados nos caminhos do Senhor.

Descobrimos que nossa experiência de estar “na igreja” tinha substituído a de estar “em Cristo.” Nossa religião não era o suficiente, precisávamos de uma conexão vital com um Deus vivo e aqueles anos cheios de provações  fizeram exatamente isso por nós! Abriram nossos olhos, fortaleceram nossa fé e nos firmaram na primeira obra de Deus que é cuidar do casamento e da família.

Com o estabelecimento de um escritório imobiliário no sertão, as finanças não eram mais um problema. Melhorias foram feitas ao desenvolvermos um sistema de água de circulação gravitacional, uma fossa séptica melhor, um veículo novo que não estragaria tão cedo e várias reformas em nossa pequena cabana de tora de madeira. Nossa estufa de plantas foi construída, além de duas hortas externas. Estávamos experimentando a vida que viéramos procurar, a vida que Deus nos levara a buscar e estávamos crescendo nessa experiência dia após dia.

RECEBEMOS PARA COMPARTILHAR!

Deus não nos concede bênçãos para que as conservemos para nós mesmos.

Recebemos um convite para apresentar nosso estilo de vida em uma reunião com centenas de cristãos estudiosos, na Universidade Metodista de Portland, Oregon, e eu tive uma nova série de “mas”.

“Mas Senhor, não sou um orador!” De fato, esse é meu talento mais fraco! Gaguejo e hesito para falar. “Não, Senhor, mande outra pessoa – não eu, Senhor!” Uma coisa que aprendi é que Deus é sempre glorificado na fraqueza, quando esta Lhe é entregue.

“Porque quando estou fraco então sou forte.” II Coríntios 12:10. Quando um homem é forte e talentoso em determinada área, o mundo o exalta e ele se torna orgulhoso, arrogante e autossuficiente. Deus prefere tomar homens fracos e incapazes e através de Sua graça e poder os tornar fortes. Assim sendo, fui com joelhos trêmulos e você sabe o que aconteceu? As apresentações prosperaram, a agência imobiliária prosperou, nosso casamento e a experiência cristã prosperaram.

Estávamos vivendo e experimentando nosso sonho, a realização de nosso desejo. Mas no momento de sucesso, o Senhor disse: “Jim, Eu quero que você deixe a agência imobiliária.Quero que você trabalhe num ministério para Mim em período integral. O objetivo desse ministério será restaurar vidas, casamentos e famílias.”

Eu me lembro de ter dito a Deus: “Mas, Senhor, eu não posso. Tenho uma vida feita. Como sustentarei a mim mesmo?”

“Jim, Eu cuidarei de todas as suas necessidades.”

“Mas como, Senhor?”

“Jim, você não precisa saber como – apenas confie em Mim.”

“Não, Senhor, não posso fazer isso. Chega de mudanças… O Senhor está pedindo demais. Mande outra pessoa. Não sou qualificado. Quero apenas viver uma vida tranquila e simples até que Tu voltes. Além do mais, de onde virão os convites?”.

Naquela noite uma senhora que eu conhecia, ligou me convidando para pregar em sua igreja.

– Jim – ela disse se desculpando, – Nós realmente queremos que você venha… mas por ser o feriado de quatro de julho, provavelmente não teremos mais que 20 pessoas assistindo.

Enquanto ela falava, eu dizia em minha mente: “Senhor, se Tu realmente estás me chamando para ministrar para as pessoas em tempo integral, então mande 50 pessoas para essa reunião. Isso será o meu teste da lã, assim como Gideão”.

Eu fui a primeira pessoa a chegar na igreja naquele dia. Estava motivado. Queria ver como Deus iria responder ao meu teste da lã. E Senhor tinha realmente me chamado para o ministério? Sally e eu nos sentamos quase nos primeiros bancos enquanto as pessoas entravam, e até o momento em que me levantei para pregar havia oito pessoas na igreja.

“Bem Senhor,” falei comigo mesmo, “acho que obtive minha resposta.” A porta se abriu naquele exato momento e entrou uma família de quatro pessoas. “Ainda são apenas doze, Senhor.” Outras três entraram.

“Agora são quinze.” Então mais duas pessoas e uma família de quatro entraram. Isso me deu um total de vinte e uma pessoas. Logo eram vinte e oito depois trinta e quatro, quarenta, e quarenta e três. Eu estava tentando pregar, mas por dentro minhas emoções estavam desordenadas. Tentei seguir as notas do meu sermão, mas não foi fácil contar e pregar ao mesmo tempo. “Isso não pode estar acontecendo”, pensei; no entanto, estava! O número de pessoas continuou a aumentar.

Eram quarenta e oito, depois cinquenta e um, e então sessenta. E não parava.

Na contagem seguinte eram setenta e três e as pessoas continuavam entrando. Eu parei de contar. Obtive minha resposta! Sabia que o Senhor estava me chamando para levar ao Seu povo o evangelho prático de como caminhar pela fé, como permanecer em Jesus, como viver pela graça, e como aplicar isso na vida diária, nos casamentos, nas famílias, nas igrejas e nos contatos com o mundo.

EU NÃO QUERIA AQUELA RESPOSTA!

Fui para a cama naquela noite sabendo que o Senhor estava me pedindo para abandonar minha próspera empresa imobiliária com a qual Ele tanto me abençoara. Entretanto, ao acordar na manhã seguinte às quatro e meia da manhã, sentei-me na cama tremendo com a Bíblia no colo. A experiência maravilhosa e emocionante de minha oração respondida tinha acontecido e agora eu estava lidando com a realidade. Como faria isso?

Finalmente disse: “Senhor, Gideão fez um segundo teste com a lã. Eu também preciso, Senhor, se for para nunca mais voltar a essa questão, se for para nunca me arrepender dessa decisão, preciso de um segundo teste com a lã. Precisas confirmar esse chamado ao ministério em Tua palavra. Senhor, eu sei que prometi trabalhar para Ti se enviasses as pessoas, mas Gideão também disse que iria depois do primeiro teste da lã e ainda assim pediu um segundo sinal de confirmação. Senhor, esse é um chamado difícil para mim. Quero dizer, essa é uma decisão sem retorno. Isso é para o resto da minha vida. Nunca mais fazer algo para mim mesmo e somente trabalhar pelo Teu povo… jamais fiz algo assim”, eu Lhe disse. “Quero que confirmes em Tua palavra o meu chamado para o ministério do evangelho”.

Agora, isso é um coisa difícil de pedir, pois em lugar algum da Bíblia diz: “Jim Hohnberger, você deve se tornar um ministro do evangelho.” Ali estava eu sentado com minha Bíblia na mão. Orei e sondei meu coração para ter certeza de que não havia nada entre mim e Deus. Tendo feito isso, comecei a folhear a Bíblia página por página por quase uma hora, até que parei no livro de Efésios, capítulo três.

Foi como se o Espírito Santo tivesse me sacudido e dito: “Esse é o lugar.”

“Senhor, senti uma impressão que devo ler aqui.”

“Comece na coluna à direita, Jim.”

Meus olhos caíram no verso sete: “Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do Seu poder.” Eu me arrepiei da cabeça aos pés!

Uau! Que confirmação! Agora eu sabia que  Deus me chamara e que Sua graça me sustentaria.

Fiquei sentado ali na cama com lágrimas rolando pelo rosto até que Sally acordou. Contei-lhe tudo que acontecera e que ela tivera parte nisso, embora não tivesse ideia no momento.

O chamado de Deus ao coração é frequentemente desconhecido para as pessoas ao seu redor. Você pode ser o único que sabe o que Deus está lhe pedindo naquele momento. Mesmo a sua esposa pode não saber o que o “Mas, Senhor” significa em sua vida. Seja o que for, você precisa lidar com a questão.

SUA ESCOLHA

Hoje, enquanto você lê estas linhas está fazendo uma escolha, mesmo que seja simplesmente experimentar e adiar a escolha.

Todos nós precisamos compreender que quando decidimos não fazer uma escolha, na verdade nossa escolha foi rejeitar aquilo que Deus está pedindo que façamos.

Tem havido outros “mas” que Deus me ajudou a enfrentar. A questão agora é: E você?

Existe algo em sua vida, neste momento, que Deus está pedindo que Lhe entregue? Algum “mas Senhor” por meio do qual você está resistindo a Deus? Então, o que está impedindo você? Será desistir da vida urbana com todos as suas armadilhas?

Você teme a estrutura ou a disciplina de um horário diário regular? Talvez sejam velhos hábitos ou o regime alimentar? Essas fraquezas herdadas e tendências cultivadas não precisam nos escravizar. Para alguns pode ser a pressão de  colegas e a aceitação social.

O que é para você?

Querido amigo, o evangelho não é uma doutrina ou uma igreja, mas uma vida, uma conexão vital e completa com o Deus de todo ser humano. Ele Se apoderará de todo o nosso ser se estivermos dispostos a nos entregarmos a Ele. Então, e somente então poderá Deus restaurar a pessoa à Sua imagem.

Esse é o verdadeiro cristianismo! Oh! Que possamos experimentar sua atuação diária em nossa vida! Que possamos nos apegar à graça habilitadora que está ao nosso alcance e não meramente esperar… mas decidir!

Obs.: Este texto é uma adaptação de parte do capítulo “Hesitante” do livro “Fuga para Deus” escrito por Jim Hohnberger e publicado no Brasil pela Casa Publicadora Brasileira.

Marcado , , .Adicionar aos favoritos o permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *